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Xixi na cama

12/03/2014

Na verdade a palavra xixi é um simples regionalismo. Urinar seria a palavra correta para se aplicar ao ato.

Tive algumas crianças com problemas de urinar na cama:

– Um menino que usou fraldinha, fralda e fraldão até os 12 anos. O pai viúvo e récem casado não percebia que poderia ter resolvido o problema antes;
– uma menina que fazia bastante xixi na cama e parou. A minha proximidade com ela era só nas férias quando todos os sobrinhos adoravam passear e ficar no meu apartamento minúsculo.
– e um outro garoto que fazia xixi de duas em duas horas à noite toda.

Eu nunca fiz xixi na cama e a minha filha também não. A minha irmã fazia até apodrecer o colchão e o cheiro era insuportável. Isso quem resolvia era minha mãe: diziam que era bexiga solta.

As pessoas tem inúmeras explicações: é psicológico, é insegurança, é conflito familiar, é falta de diálogo, é preguiça, é sono pesado … e dá umas palmadas, manda benzer, dê o remédio tal … É tudo isso. Quem cuida e desconhece o por que isso acontece tem vontade dar umas palmadas ou chineladas. O problema maior fora a violência física é deixar urinar na cama como no caso do menino de 12 anos. Ele às vezes estava acordado ficava segurando a urina quando acordava pela manhã, cochilava e mijava na cama. Fora isso nunca descuidei. Acordava à noite e sempre conduzia o mijão sonolento até o banheiro. Eu achava que depois de algum tempo ele se acostumaria a fazer o xixi na hora certa no lugar certo. Um nenem não precisa pensar na hora nem no lugar: urina deitado.

E é exatamente deixar os hábitos de nenem outro dos maiores problema. No caso do garoto 9 anos que urinava de duas em duas horas era assim: os pais eram separados. Pesava a culpa e um pouco do sossego da mãe. O menino hiperativo, brincava muito e sempre agitado, correndo e gritando, tomava líquido até o último momento de dormir. Presenciei um momento que ele pegou a jarra de suco da geladeira e tomou na jarra, ali mesmo. Ele passava dois meses das férias do final de ano entre a minha casa e a casa dos tios.

Em casa, a estratégia era acordar cedo, tomar o café da manhã, fazia algumas atividades pra tocar o dia, almoçava e saía para brincar no parque. Brincava de empinar pipa, andar de bicicleta, atividades que gastava energia. Voltava às 18 horas, tomava banho jantava e dormia. Não dava tempo nem de pedir suco ou mais suco. Esse ritmo garantia ao garoto a diminuição do fluxo de urina à noite. A rotina dele antes era sofá e televisão e brincadeiras agitadíssimas o dia todo, com direito a refrigerante, suco, biscoitos e algum salgadinho. A quantidade de sal dos salgadinhos e o suco ou refrigerante ajudava a reter líquido sem gastar muita energia. Ele ficava acordado até altas horas comendo e bebendo muito, no dia seguinte acordava tarde.

Nas últimas férias fomos para praia e eu cansada de acordar uma, duas e até quatro vezes à noite falei: agora eu vou descansar, dormir uma noite inteira: pedi para camareira colocar forro no colchão que eu não precisaria levantar para levá-lo ao banheiro e ele falou: “por favor me acorde que eu não quero mais fazer xixi na cama”.

Do livro Não tem dia não tem noite que separe:

“… Eu fazia xixi na cama e por isso apanhava muito, eu e outras crianças, não era só eu! Quem tinha feito xixi na cama tinha que ir para a outra fila para apanhar de palmatória. Palmatória era – como é que posso explicar? Era uma tábua, tipo tábua de carne, redonda, ou comprida, de madeira com parte de borracha. Então apanhava! Depois ia tomar banho, mas primeiro apanhava.
Quem ficava de castigo porque tinha feito xixi na cama ou alguma coisa errada não dormia no dormitório, tinha que ficar lá fora, no pátio, com o colchão na cabeça, – um pátio tipo claustro, como naquelas construções antigas. A gente morria de medo, tinha morcegos, muitos bichos, muitas aves noturnas. Éramos pequenos. A gente achava que as corujas iam pegar a gente.”

Esse tipo de terrorismo descrito acima foi o drama pessoal da Conceição autora do livro um relato da vida dela. E muitos sofreram com o problema. Hoje eu pergunto pra um e outro adulto se passaram por essa fase: mijar na cama. As histórias são agora até divertidas e muitas são de humilhações  lamentáveis.

Para a minha filha eu falei: xixi e coco fazemos no banheiro, na cama não. Ela não tinha um ano, tava perto. Eu a sentava no penico, ainda bem cedo e ficava brincando com ela até o coco sair. Eu sabia o horário dela. E era aquela festa: levava o coco até o banheiro, no vaso sanitário, dava a descarga e dava tchau pro coco. Até que ela começou a avisar que queria ir ao banheiro.

Então num primeiro momento parar de mijar na cama e na roupa exige muita atenção dos pais ou dos cuidadores: percebeu que a criança está inquieta, tentando segurar com as mãos é hora de ajudá-la a ir até o banheiro. Com um pouco de ajuda e muita disposição é possível manter a criança entretida e administrar a quantidade de líquido e alimentos que entram e à noite uma ajudinha pode ser valiosa tanto para os pais como para a criança.

Nas pesquisadas pela internet a informação é que noventa por cento dos casos são orgânicos e a maior parte deles tem razão hereditária: pais que tiveram esse problema pode também ter filhos que não conseguem parar de urinar na cama.

Geralmente, com cerca de dois anos de idade, a criança começa a notar a sensação de bexiga cheia e a chamar a atenção quando quer fazer xixi. Se, ao ultrapassar os cinco anos, a criança ainda não demonstrou controle da urina durante a noite, o ideal é procurar um pediatra. Na maioria das vezes, trata-se de um caso de enurese noturna primária.

Algumas crianças sofrem com a falta de uma substância chamada vasopressina, que é fabricada pela hipófise para diminuir a produção de urina durante a noite. Com esse déficit, muitas produzem, à noite, a mesma quantidade de urina que produzem durante o dia.

Outra causa possível é uma imaturidade do sistema nervoso, que impede que o cérebro da criança receba o aviso enviado pela bexiga cheia durante a noite. Sem ser avisada, a criança deixa de acordar para ir ao banheiro e acaba encharcando os lençóis.

Os casos emocionais – apenas 10% – são chamados de enurese secundária porque, geralmente, acontecem depois de a criança já ter aprendido a controlar o xixi, normalmente por um trauma emocional.

Redação Helenice março de 2014   e-mail helenice.alberto@gmail.com
Os 5 últimos parágrafos foi resultado de pesquisa na internet

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